segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Antes eu brincava agora já não tem mais graça

É engraçado como as coisas mudam de lugar, ninguém é senhor do seu próprio tempo, e isso é um fato, existem certas situações que fogem do nosso mero entendimento humano, que ultrapassam fronteiras que jamais iremos entender.

Quando eu era pequena minha brincadeira favorita era brincar de barro, fazia bolinhos de barro, comidinha de barro, gostava de rolar naquela lama, os dias da estação mais quente do ano eram marcados pelas brincadeiras no barro, e não precisava de muito não, mangueira, uns potinhos, minha irmã é claro e muita terra. Misturávamos algumas folhas para dar mais requinte ao nosso prato de barro, e pronto a alegria era garantida... como era simples ser feliz! É como diz Renato Russo com sua sabedoria inconfundível: “SÃO AS PEQUENAS COISAS QUE VALEM MAIS.”

Ontem houve uma chuva muito forte, e pela primeira vez vi algo que jamais tinha visto, casas alagadas, casas arrastadas, pessoas desesperadas e muita tristeza. Tenho uma pessoa muito querida que mora na cidade de Sapucaia do Sul, bom a casa dela foi uma dessas alagadas, quando cheguei lá a única reação que tive foi chorar e lamentar. Estamos acostumados a ver esses tipos de catástrofes pela TV, mais perto de nós... perto de quem amamos... é difícil. O sentimento de impotência não pode ser medido, na frente da casa desses meus amigos se formou um rio que passava de uma forma intensa, bem no meio da rua, a correnteza era forte tão forte que fizemos uma corrente de mãos dadas para chegar do outro lado.

A chuva parou. A água baixou. O barro ficou.

Nesse momento, quando vi tudo o que a chuva deixou fiquei sentada um tempo num canto pensando em tudo aquilo. Há anos atrás, aquele monte de barro seria uma festa, mais a gente cresce, cria consciência e antes o que nos fazia rir agora nos faz chorar.

Quando falo isso não cito apenas o barro, seria tolice minha escrever a importância do barro na minha vida. Olha quantas vezes você amou e odeio a mesma coisas ou o mesmo alguém, é a gangorra da vida, que nos coloca ora pra cima ora para baixo.

Quem nunca amou uma pessoa, sorriu com ela, fez planos e juntou todas suas expectativas com as dela? Naquele momento aquela pessoa seria para o resto da vida, iriam envelhecer juntos não é? Teriam filhos e uma casa. As coisas mudaram de lugar.

Chamaria isso de evolução natural do tempo, precisamos criar expectativas todos os dias, em relação aos nossos sonhos e anseios, seria banal viver se elas não existissem, a experiência nos torna sábios, aprendemos a escolher melhor os caminhos, aprendemos a lidar com as pessoas e a ver que nem tudo é perfeito. O barro que nos fazia feliz agora tem outro sentido, antes ele era um monte de barro que nos fazia rir, agora é sinônimo de destruição, nossa percepção de vida muda, e entender o sentido de cada coisa... é como abrir um potinho com uma surpresa diferente todos os dias, afinal de contas você não sabe se hj o que te faz feliz não vai fazer você repensar as coisas da vida e ficar triste manhã!? Isso acontece com nossos relacionamentos, com nosso trabalho, família, estudos e hobbies...

Fiquei triste com tudo aquilo e fiquei com raiva daquele barro todo, somente nos meus dias infantis ele teria graça. E entendi que não é o barro que era ruim, é que existe um momento para tudo, momento de fazer sentido e momento de acabar o sentido... nada é eterno. Porque afinal de contas isso nos faz evoluir, a aprender e crescer! Não é porque uma coisa não está sendo boa agora que ela vai continuar sendo ruim para o resto da vida e vice versa.

A vida não é um carrossel que gira sempre no mesmo sentido e sempre com o mesmo movimento, assim não teria graça viver...

Bom o barro me fez pensar,passei o dia ajudando a limpar o barro que ficou, estou muito cansada hj, tudo o que eu quero e chegar em casa e dormir... e talvez pensar novamente!

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